1.
Às vezes, alguém pode estar próximo à porta da santidade, mas voltar atrás porque a má inclinação e as forças do mal a atacam fortemente e não a deixam entrar pela porta. Com isso, a pessoa se abala e recua inteiramente. É assim que a má inclinação e as forças do mal funcionam. Quando percebem que a pessoa está realmente próxima dos portões da santidade e prestes a entrar, elas se espalham sobre ela com extrema intensidade. Por isso, a pessoa precisa de muita determinação contra elas para se firmar no seu lugar e não o deixar, sem prestar atenção às quedas, declínios e confusões pelos quais passa. Pelo contrário, deve se fortalecer muito para superá-los e fazer o que pode no serviço divino. Com o passar dos anos, com a ajuda de D'us, a pessoa certamente entrará nos portões da santidade, pois D'us é cheio de misericórdia e deseja muito nosso serviço. Saiba que todas as tentativas da pessoa de se separar de sua materialidade em direção ao serviço divino se juntam e se unem para ajudar a pessoa num momento de necessidade, como quando ela passa por dificuldades e crises. Existe uma árvore da qual crescem folhas, e cada folha cresce cem anos – pode-se assumir que, nesses cem anos, ela sofre bastante. Depois dos cem anos, no entanto, ela explode, emitindo um grande som, como o de um canhão. O significado da parábola é autoexplicativo.
(Likutey Moharan II, 48)
2.
A pessoa deve se fortalecer no serviço divino de toda a forma possível, independentemente de sua situação atual, e depender da imensa misericórdia divina. D'us certamente não irá abandonar a pessoa, não importa o que ela tenha feito. O passado se foi, e o principal é daqui para frente não repetir. Abster-se ao menos de fazer o mal, seja em ação ou em pensamento. O pensamento também é considerado uma ação, pois ele existe no mundo da ação igualmente; assim, a pessoa deve se abster tanto de ação como de pensamento. O que acontecer com ela não deve preocupá-la automaticamente e ela não deve dar atenção a isso. Saiba que a pessoa deve inevitavelmente passar por tudo o que passa, pois esse é o principal arrependimento completo – quando a pessoa passa pelos mesmos lugares e situações pelos quais passou antes, mas dessa vez age de forma diferente e subjuga a má inclinação, abstendo-se de fazer o que fizera antes, seja em ação ou pensamento. Esse é o verdadeiro arrependimento completo.
(Likutey Moharan II, 49)
3.
Já foi explicado antes sobre as incontáveis ascensões e declínios que a pessoa deve suportar antes de atingir o serviço divino completamente. Mesmo os grandes tzadikim suportaram tudo isso. O mais importante é ter forte em sua cabeça que irá conquistar o serviço divino para sempre e não irá se concentrar em nada mais no mundo, nem nunca deixará o serviço divino. Mesmo se a pessoa suportar todos os declínios do mundo, ela deve se fortalecer no serviço divino tanto quanto for possível. O principal é não se desesperar, mas sempre começar de novo, como se nunca tivesse começado a servir a D'us, como se estivesse começando naquele momento. A pessoa deve começar novamente sempre, e às vezes precisa começar novamente várias vezes em um só dia.
(Likutey Moharan II, 48)
4.
Quando a pessoa tem rezado, suplicado e implorado profusamente, há muito tempo, para ter o mérito de se aproximar do serviço divino, e parece que não prestam atenção e não a ouvem, ao contrário, parece que a afastam de todas as formas do serviço divino – como se não quisessem seu serviço absolutamente, fazendo com que ela fique abatida e frouxa no serviço divino –, então ela deve se envergonhar muito por ter duvidado dos atributos divinos. D'us é certamente compassivo e piedoso, e certamente quer aproximar a pessoa, por isso ela deve se fortalecer mentalmente para começar novamente sempre.
(Likutey Moharan II, 48)
5.
De acordo com o nível espiritual de cada um, quanto mais uma pessoa deseja entrar no serviço divino, mais a má inclinação a desafia e ataca. É como duas pessoas lutando uma contra a outra – quando uma delas vê que a outra está ganhando força sobre ela, invoca toda sua força para superá-la. Assim, a razão pela qual as forças do mal desafiam a pessoa mais do que o normal é porque elas percebem que algum bem está começando a despertar na pessoa, e o mal se ergue contra ela mais intensamente. Portanto, a pessoa deve ser astuta e "guerrear com estratégias" (Eclesiastes 2:18), para superar o mal completamente, sempre.
(Discursos de Rebe Nachman 10)
6.
Às vezes a pessoa sente ser improvável que ela alcance o Mundo Vindouro [vida após a morte] por estar muito distante de D'us. Mesmo assim, ela deve ser forte e corajosa no seu intuito de se aproximar, sempre ansiando e desejando D'us, fazendo o possível no serviço divino, com alegria, e estando disposto a servir a D'us pela vida inteira, ainda que sem a recompensa do Mundo Vindouro. E mesmo se achar que irá para o inferno, a pessoa é obrigada a fazer sua parte sempre e se ocupar do serviço divino o quanto for possível, fazendo alguma mitzvá, estudando Torá ou rezando – e D'us fará o que é bom a Seus olhos.
(Discursos de Rebe Nachman 48)
7.
Mesmo que a pessoa não tenha alcançado o serviço divino, enquanto ela ainda anseia por D'us, precisa certamente se fortalecer e encorajar muito só por isso, como está escrito: "Fortaleçam-se e sejam corajosos de coração, todos os que têm esperança em D'us" (Salmos 31:20). Ela não deve se abater por nada no mundo, pois não há nada pior que o desespero. Cada um deve encorajar o outro a não se desencorajar por nada no mundo. Ainda que a pessoa saiba a verdade sobre si, ela deve fortalecer o outro, pois é mais fácil fortalecer o outro do que a si mesmo, já que um "prisioneiro não pode se libertar" (Tratado de Berachot 5b). Quando alguém conseguir não derrubar seu amigo, mesmo sabendo que está distante do serviço divino, e sim o fortalecer com todas as formas de encorajamento e o restaurar com todos os tipos de palavras que restauram a alma, é possível que por isso consiga ele mesmo, posteriormente, retornar a D'us.
(Discursos de Rebe Nachman 120)
8.
Há pessoas que se aproximam do serviço a D'us mas depois se afastam. Sua aproximação temporária também é preciosa aos olhos de D'us, independentemente do que aconteça com elas depois.
(Discursos de Rebe Nachman 123)